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Bicicleta elétrica no Paraguai: cota, imposto e o risco na volta

A cota de US$ 500, o imposto de 50% e por que a bicicleta com motor pode não ser bagagem.

Atualizado em 3 de outubro de 2026 · Para comprar · leitura de 10 min

Resposta direta

Quem volta do Paraguai por terra tem cota de isenção de US$ 500, e a bagagem que passa disso paga 50% de imposto sobre o excedente. O problema é anterior: a Receita Federal lista "bicicletas com motor", ao lado de motocicletas e motonetas, entre os bens que ficam fora do regime de bagagem. Confirme na aduana antes de comprar.

Na ciclovia, a velocidade é a que o município fixa.
Na ciclovia, a velocidade é a que o município fixa.

Por que tanta gente pergunta

A busca por "bicicleta elétrica no Paraguai" cresceu 140% em 12 meses no Google Trends, e "moto elétrica no Paraguai", 400%. O termo tem entre 1 mil e 10 mil buscas por mês. Nas sugestões do Google, "Paraguai" aparece 43 vezes ligado a elétricos leves, mais que qualquer cidade brasileira. O motivo é o preço de etiqueta em Ciudad del Este. O que raramente aparece nos vídeos é a volta.

Esta página lê as regras nas páginas oficiais da Receita Federal e na Resolução Contran 996/2023. Onde o texto oficial é ambíguo, ela diz que é. Nada aqui substitui a resposta do fiscal no posto de fronteira, que é quem decide no dia.

Vendidas no Brasil, com nota fiscal e garantia

A cota de quem volta por terra

O Guia do Viajante da Receita Federal informa que os bens tributáveis que não são de uso pessoal só são isentos dentro do conceito de bagagem acompanhada e até a cota de US$ 1.000 na chegada por via aérea ou marítima, ou de US$ 500 na chegada por outras vias. A Ponte da Amizade é via terrestre: US$ 500. A cota vale por viajante e só é concedida a cada intervalo de 30 dias.

  • US$ 500é a cota de isenção por viajante na entrada por via terrestre, uma vez a cada 30 dias
  • 50%é a alíquota do imposto de importação sobre o valor da bagagem que exceder a cota, no Regime de Tributação Especial
  • 50%do valor excedente é a multa para quem escolhe "nada a declarar" trazendo bens acima da cota, além do imposto

Existe ainda uma cota adicional de US$ 500 a cada 30 dias para compras em lojas francas terrestres, os free shops do lado brasileiro. Ela vale para compras nessas lojas, não para as lojas de Ciudad del Este.

Largura de 70 cm e entre-eixos de 130 cm: os dois limites que quase ninguém confere.
Largura de 70 cm e entre-eixos de 130 cm: os dois limites que quase ninguém confere.

A conta do imposto, se o bem for aceito como bagagem

O que passa da cota paga 50% sobre o excedente, pelo Regime de Tributação Especial. Um exemplo com número redondo, só para mostrar a conta: um bem de US$ 1.200, comprado por um viajante que não trouxe mais nada.

  • Valor do bem: US$ 1.200.
  • Cota: US$ 500.
  • Excedente: US$ 700 (1.200 menos 500).
  • Imposto: US$ 350 (50% de 700).
  • Custo total: US$ 1.550.

O câmbio usado é o da data de transmissão da declaração. O pagamento é por DARF, com código de barras ou PIX. O viajante com bens a declarar é obrigado a preencher a Declaração Eletrônica de Bens de Viajantes (e-DBV).

Quem passa pelo canal "nada a declarar" com bens acima da cota comete declaração falsa. A página da Receita diz que essa opção é punida com multa de 50% do valor excedente ao limite de isenção, além do imposto. No exemplo, seriam US$ 350 de imposto mais US$ 350 de multa. As penalidades, segundo a mesma fonte, vão de multa até a apreensão dos bens para aplicação da pena de perdimento.

O ponto que decide: bicicleta com motor é bagagem?

Toda a conta acima só vale se o bem couber no conceito de bagagem. E é aqui que as páginas oficiais merecem leitura atenta.

As duas páginas não são idênticas. A primeira cita ciclomotores e não cita bicicleta. A segunda cita "bicicletas com motor". Pela leitura da segunda, a bicicleta elétrica e a scooter elétrica ficam fora do regime de bagagem, mesmo abaixo de US$ 500. Nenhuma das duas menciona patinete elétrico.

Bem que não é bagagem não paga os 50% simples do viajante. Vai para o Regime Comum de Importação, que é o despacho de importação comum, com tributos e procedimento próprios. A mesma lista inclui "partes e peças" desses veículos, o que pode alcançar motor, controlador e bateria.

O risco da classificação: o que é barato lá pode ser ciclomotor aqui

Mesmo que o bem entre, ele precisa poder rodar. A regra brasileira classifica pelo que o veículo é, não pelo nome da loja. Pela Resolução Contran 996/2023, art. 2º:

  • Roda sem placa o autopropelido de até 1.000 W nominais, até 32 km/h de velocidade máxima de fabricação, até 70 cm de largura e até 130 cm entre os eixos, e a bicicleta de pedal assistido de até 1.000 W e 32 km/h.
  • É ciclomotor o que passa de 1.000 W ou de 32 km/h, até 4 kW e 50 km/h (§ 6º). Exige registro, placa e ACC ou CNH A.

As lojas de fronteira não têm obrigação de seguir o limite brasileiro. As buscas mostram o que as pessoas procuram: "scooter elétrica 3000w" e "moto elétrica 2000w" estão entre os termos de 1 mil a 10 mil buscas por mês, e a procura por scooter elétrica no Paraguai cresceu 160% em 12 meses. No Brasil, um modelo de 2.000 W ou de 45 km/h é ciclomotor.

E o ciclomotor tem duas barreiras. A primeira é a aduana: ciclomotor está escrito, com todas as letras, na lista do que não é bagagem. A segunda é o Detran: o registro exige Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito (CAT), código de marca, modelo e versão e nota fiscal (art. 13), e o pré-cadastro no Renavam cabe a "fabricantes, órgão alfandegário e/ou importadores" (parágrafo único).

Uma unidade trazida no porta-malas não tem nada disso. Sem registro, não há placa; sem placa, o ciclomotor não pode circular. Veja ciclomotor e como emplacar ciclomotor.

O que conferir se você decidir comprar lá

  1. Consulte a Receita antes. No posto de fronteira ou pelos canais de atendimento, com a ficha do modelo em mãos. Pergunte se o item é aceito como bagagem.
  2. Leia a etiqueta do motor. Potência nominal em W. Até 1.000 W.
  3. Confirme a velocidade máxima de fábrica. Até 32 km/h. Peça o manual.
  4. Meça largura e entre-eixos. Até 70 cm e até 130 cm. Leve uma trena.
  5. Peça fatura em seu nome, com marca, modelo, potência e número de série. É a base do valor na declaração e a sua única prova de origem.
  6. Confira o carregador. Tensão de entrada compatível com a rede da sua cidade (127 V ou 220 V) e padrão de plugue.
  7. Declare. Preencha a e-DBV e passe pelo canal de bens a declarar.

O que o preço de etiqueta não inclui

  • Garantia. A garantia de uma loja paraguaia se exerce lá. No Brasil, a garantia de bateria desses veículos costuma ser de 3 a 6 meses; a de fronteira, além de curta, exige uma viagem.
  • Bateria de reposição. Modelo que não é vendido no Brasil pode não ter bateria compatível aqui. Confira tensão, capacidade e conector antes, e veja as opções em bateria de bicicleta elétrica.
  • Nota fiscal brasileira. Você terá a fatura estrangeira e o comprovante do imposto. Guarde os dois juntos: fazem o papel da nota numa abordagem e numa revenda.
  • Viagem. Combustível ou passagem, hospedagem e o dia de trabalho.
  • Imposto ou multa. 50% sobre o que passar de US$ 500, se for aceito como bagagem.

Refaça a conta com tudo isso e compare com o preço lido nesta semana no Brasil, nos cartões desta página. As faixas por tipo estão em preço de bicicleta elétrica, e as de menor preço, em bicicleta elétrica barata.

E importar pela internet?

É outra operação, sem cota de viajante. A página de penalidades da Receita lembra que pessoas físicas só podem importar bens para uso próprio. Os tributos e as exigências dependem da classificação fiscal do produto, que este site não conferiu em fonte oficial. Para ciclomotor, vale a mesma barreira do certificado e do pré-cadastro.

Quando comprar no Brasil sai melhor

Para a maioria, sai. O mercado interno cresceu: a produção em Manaus somou 52.403 bicicletas elétricas de janeiro a agosto de 2026, 78,3% a mais que um ano antes, segundo a Abraciclo, e a importação regular da China chegou a US$ 258,9 milhões no primeiro semestre, segundo o Valor.

Mais oferta trouxe modelos de entrada com nota fiscal, garantia e entrega em casa. A lista abaixo traz os que cumprem as quatro medidas da regra; a de modelos sem CNH explica o critério.

Mais vendidas no Brasil, dentro da regra

Perguntas que aparecem no Google

Vale a pena comprar bicicleta elétrica no Paraguai?

Só depois de três confirmações: que a aduana aceita o item como bagagem, que o modelo cumpre 1.000 W, 32 km/h, 70 cm e 130 cm, e que a conta com imposto de 50% sobre o excedente, viagem e falta de garantia ainda fecha abaixo do preço no Brasil.

Qual a cota para compras no Paraguai?

US$ 500 por viajante na entrada por via terrestre, uma vez a cada 30 dias, segundo o Guia do Viajante da Receita Federal. Há cota adicional de US$ 500 para lojas francas terrestres do lado brasileiro.

Quanto paga de imposto o que passa da cota?

50% sobre o valor que exceder a cota, para bens aceitos como bagagem. Quem não declara paga, além do imposto, multa de 50% do valor excedente.

Vale a pena comprar moto elétrica no Paraguai?

Motocicletas, motonetas e ciclomotores estão expressamente fora do conceito de bagagem na página da Receita. Não entram pela cota de viajante, e o ciclomotor ainda precisaria de certificado e pré-cadastro para ser emplacado.

Posso trazer só a bateria ou o kit?

A lista da Receita inclui "partes e peças" dos veículos que ficam fora da bagagem. Consulte a aduana antes; a leitura do fiscal é a que vale.

Scooter elétrica comprada no Paraguai precisa de placa?

Depende das medidas, não da origem. Acima de 1.000 W ou de 32 km/h, é ciclomotor e precisa de placa, que uma unidade sem certificado não consegue obter.

Fontes

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